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Cluster: Gestão de custosTema: Precificação a partir do CMV: markup, margem de contribuição e o preço de cada prato

Como precificar prato de restaurante: onde reajustar e onde segurar o preço dos dez mais vendidos

Refaça a margem de contribuição dos dez pratos que mais saem e veja, com uma conta passo a passo, quais preços reajustar e quais segurar no cardápio.

Publicado em Por MenuWorks

Como precificar prato de restaurante: onde reajustar e onde segurar o preço dos dez mais vendidos

Como precificar prato de restaurante quando o cardápio ficou parado? Refazendo a margem de contribuição dos dez pratos que mais saem e comparando cada um com a meta da sua casa: o que está abaixo dela sobe de preço, o que está na meta ou acima segura.

Segundo pesquisa da Abrasel, 38% dos bares e restaurantes não reajustaram o preço entre setembro de 2025 e agosto de 2026. Se a sua casa está nesse grupo, o custo da ficha técnica de hoje pode já não ser o de quando o preço foi marcado, e só a conta prato por prato mostra onde isso pesa.

Ao fim deste texto você terá a tabela dos dez pratos, o preço novo dos que precisam subir e o limite de queda nas vendas que cada reajuste aguenta. Os números do exemplo são hipotéticos: troque pelos da sua casa. O método completo para chegar ao custo do prato está em como precificar prato de restaurante, do custo da ficha técnica ao preço no cardápio; aqui o foco é decidir onde mexer.

Bancada de cozinha com pratos prontos, um caderno e uma calculadora usados para conferir o custo de cada prato

O que é margem de contribuição de um prato

Margem de contribuição é o que sobra de cada prato vendido depois de tirar o custo do ingrediente e os custos que acompanham a venda, como o imposto sobre a venda e a taxa de maquininha ou de aplicativo. É esse dinheiro que paga aluguel e folha e, no fim, deixa o lucro.

A conta é: margem de contribuição = preço − custo do prato − custos variáveis da venda.

Por que ela, e não só o CMV por prato (o custo do prato dividido pelo preço)? Porque o percentual esconde o tamanho do ganho. No exemplo abaixo, o contrafilé e o hambúrguer têm a mesma margem de 45%, mas um deixa R$ 27,90 por prato e o outro R$ 16,20. O que paga a casa é o valor em reais vezes a quantidade vendida.

Passo 1: monte a tabela dos dez pratos que mais saem

Pegue o custo atual de cada prato na ficha técnica. Se ainda não tem, o roteiro de uma semana para a ficha técnica dos dez pratos que mais saem e a Calculadora de Ficha Técnica resolvem. Depois, anote o preço atual do cardápio e as vendas do mês, que o sistema de vendas informa.

No exemplo, os custos variáveis são 10% do preço (imposto sobre a venda mais taxa de cartão). É um valor ilustrativo: use o percentual real da sua casa.

Prato Preço Custo Variáveis (10% do preço) Margem de contribuição Margem (%) Vendas no mês Contribuição no mês
Porção de fritas R$ 28,00 R$ 7,00 R$ 2,80 R$ 18,20 65% 500 R$ 9.100,00
Frango grelhado (executivo) R$ 38,00 R$ 15,20 R$ 3,80 R$ 19,00 50% 420 R$ 7.980,00
Hambúrguer artesanal R$ 36,00 R$ 16,20 R$ 3,60 R$ 16,20 45% 380 R$ 6.156,00
Contrafilé com fritas R$ 62,00 R$ 27,90 R$ 6,20 R$ 27,90 45% 310 R$ 8.649,00
Parmegiana de frango R$ 54,00 R$ 24,30 R$ 5,40 R$ 24,30 45% 260 R$ 6.318,00
Isca de peixe (porção) R$ 48,00 R$ 24,00 R$ 4,80 R$ 19,20 40% 200 R$ 3.840,00
Feijoada (individual) R$ 58,00 R$ 20,30 R$ 5,80 R$ 31,90 55% 180 R$ 5.742,00
Tilápia grelhada R$ 52,00 R$ 26,00 R$ 5,20 R$ 20,80 40% 150 R$ 3.120,00
Risoto de cogumelos R$ 56,00 R$ 21,28 R$ 5,60 R$ 29,12 52% 140 R$ 4.076,80
Picanha na chapa (para dois) R$ 128,00 R$ 70,40 R$ 12,80 R$ 44,80 35% 120 R$ 5.376,00
Total 2.660 R$ 60.357,80

Para ler a tabela: a margem de contribuição é preço − custo − variáveis (no contrafilé, 62,00 − 27,90 − 6,20 = 27,90), e a margem em percentual é essa margem dividida pelo preço (27,90 ÷ 62,00 = 45%). A última coluna é a margem de contribuição vezes as vendas.

Somando, os dez pratos deixam R$ 60.357,80 por mês. A porção de fritas é a maior fatia (R$ 9.100,00), embora seja o prato mais barato.

Passo 2: defina a meta de margem da casa

A meta é quanto de cada real vendido você quer que sobre depois do ingrediente e dos custos variáveis. Não existe percentual que sirva para toda casa: ele sai do histórico e das contas fixas da sua operação. No exemplo, a casa escolheu 45%.

Com a meta na mesa, o gráfico separa os pratos: três ficam abaixo dela.

Margem de contribuição por prato e meta da casaGráfico de barras horizontais com a margem de contribuição de dez pratos de um exemplo. Uma linha tracejada marca a meta da casa de 45%. Três pratos, tilápia grelhada, isca de peixe e picanha na chapa, ficam abaixo da meta e estão em vermelho.Porção de fritas65%Feijoada55%Risoto de cogumelos52%Frango grelhado50%Contrafilé com fritas45%Parmegiana de frango45%Hambúrguer artesanal45%Tilápia grelhada40%Isca de peixe40%Picanha na chapa35%Meta da casa: 45%Abaixo da meta: reajustarNa meta ou acima: segurar

Passo 3: transforme a meta em fator multiplicador

O fator multiplicador é o número pelo qual se multiplica o custo do prato para chegar ao preço que entrega a meta. A conta é: fator = 1 ÷ (1 − variáveis − margem desejada).

No exemplo, 1 ÷ (1 − 0,10 − 0,45) = 1 ÷ 0,45 = 2,22. O markup é o mesmo número visto como acréscimo sobre o custo: 2,22 − 1 = 1,22, ou seja, 122% sobre o custo.

Isso explica por que multiplicar o custo por dois, de cabeça, nem sempre serve. Na casa do exemplo, o fator 2 deixaria 40% de margem (1 − 0,10 − 1 ÷ 2 = 0,40), abaixo da meta. O fator de cada casa muda com as suas variáveis e a sua meta.

Passo 4: separe quem reajusta de quem segura

Com a margem de cada prato e a meta, a decisão é mecânica: abaixo da meta, calcule o preço novo e o quanto de venda ele aguenta perder; na meta ou acima, segure o preço e vigie o custo.

Fluxo para decidir entre reajustar e segurar o preço de um pratoTrês caixas em sequência: custo atual do prato, margem de contribuição e comparação com a meta. Da comparação saem dois caminhos: abaixo da meta, calcular o preço novo e a queda de vendas que ele aguenta; na meta ou acima, segurar o preço e vigiar o custo.Custo atual do pratoda ficha técnicaMargem de contribuiçãopreço − custo − variáveisCompare com a metaa que a sua casa escolheuAbaixo da metacalcule o preço novo e aqueda de vendas que aguentaNa meta ou acimasegure o preço evigie o custo

Onde reajustar: os três pratos abaixo da meta

Para tilápia, isca de peixe e picanha, o preço que entrega 45% é o custo vezes 2,22. Depois, arredonde para um preço de cardápio e avalie o tamanho do salto.

Prato Preço hoje Preço que entrega 45% Preço proposto Aumento Margem nova (R$) Margem nova (%)
Tilápia grelhada R$ 52,00 R$ 57,78 R$ 58,00 11,5% R$ 26,20 45,2%
Isca de peixe (porção) R$ 48,00 R$ 53,33 R$ 54,00 12,5% R$ 24,60 45,6%
Picanha na chapa (para dois) R$ 128,00 R$ 156,44 R$ 144,00 12,5% R$ 59,20 41,1%

A picanha pede mais cuidado: chegar a 45% exigiria R$ 156,44, um aumento de 22,2% de uma vez. O exemplo sobe até R$ 144,00, deixa a margem em 41,1% e guarda o resto da distância para uma segunda etapa ou para a revisão do custo da porção e do preço do fornecedor.

Onde segurar o preço, e por quê

  • Porção de fritas (65%), feijoada (55%), risoto (52%) e frango grelhado (50%) já entregam mais que a meta. Subir o preço deles arriscaria o volume sem que a casa precise da margem. A porção de fritas, em especial, é a maior contribuição do mês.
  • Contrafilé, parmegiana e hambúrguer (45%) estão exatamente na meta, sem folga. Segure o preço, mas vigie o custo: se o custo do hambúrguer subir de R$ 16,20 para R$ 17,10 (R$ 0,90 a mais), a margem cai de 45% para 42,5%.

Esse segundo grupo é o que pede a ficha técnica sempre atualizada. Quando o fornecedor mudar o preço, refaça a linha do prato antes de decidir qualquer coisa.

O reajuste compensa? A queda de vendas que a casa aguenta

Reajustar ganha mais por prato, mas pode vender menos. O ponto de empate é simples: as vendas mínimas são a contribuição de hoje do prato dividida pela margem nova por unidade.

Prato Contribuição hoje Margem nova por prato Vendas mínimas para empatar Vendas hoje Queda que o reajuste aguenta
Tilápia grelhada R$ 3.120,00 R$ 26,20 119,1 150 20,6%
Isca de peixe (porção) R$ 3.840,00 R$ 24,60 156,1 200 22,0%
Picanha na chapa (para dois) R$ 5.376,00 R$ 59,20 90,8 120 24,3%

Se o volume se mantiver, os três reajustes somam R$ 3.618,00 a mais por mês (R$ 810,00 da tilápia, R$ 1.080,00 da isca e R$ 1.728,00 da picanha), uma alta de 6,0% sobre os R$ 60.357,80 de hoje.

A conta não prevê quanto o cliente vai reagir; isso só a sua casa mede. Por isso, depois de reajustar, acompanhe por duas semanas as vendas desses pratos e compare com o limite da tabela: dentro dele, o reajuste está pagando; fora, volte a olhar o preço e o custo.

Seu próximo passo: refaça a tabela com os números da casa

  1. Atualize o custo dos dez pratos que mais saem na ficha técnica.
  2. Puxe as vendas do último mês de cada um.
  3. Calcule a margem de contribuição: preço − custo − variáveis.
  4. Defina a meta de margem da casa e o fator multiplicador dela.
  5. Reajuste só os pratos abaixo da meta e calcule a queda de vendas que cada um aguenta.
  6. Segure os demais e refaça a conta sempre que um custo mudar.

Quem está entre os 38% que não reajustaram não precisa subir o cardápio inteiro: precisa saber quais pratos ficaram abaixo da meta. Para refazer o custo de cada prato sem planilha, comece pela Calculadora de Ficha Técnica e, para ver o custo da casa inteira, veja como calcular o CMV de bar e restaurante.

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