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Cluster: Operação de cozinha e salãoTema: Previsão de demanda: usar o histórico de vendas para dimensionar compra e equipe

Previsão de demanda em restaurante e bar: o que o seu PDV já sabe

Aprenda a fazer a previsão de demanda do restaurante com o histórico de vendas do PDV: pico por dia e horário, escala de equipe e quanto comprar de insumo.

Publicado em Por MenuWorks

Previsão de demanda em restaurante e bar: o que o seu PDV já sabe

A previsão de demanda de um restaurante ou bar começa num relatório que o seu PDV já guarda: as vendas por dia da semana e por faixa de horário. Com ele você enxerga o pico real da casa, decide quantas pessoas escalar em cada hora e calcula quanto comprar de cada insumo, sem inteligência artificial.

Este texto percorre o caminho em cinco passos, com os números de um bar de médio porte. Os valores são hipotéticos, escolhidos para a aritmética ficar à vista; troque pelos da sua casa e o método continua valendo.

Do histórico de vendas à compra do diaCinco etapas em sequência, da esquerda para a direita: histórico de vendas do PDV por data e hora; pico real por dia da semana e faixa horária; escala de equipe de salão e de cozinha; compra, multiplicando a ficha técnica pelas vendas previstas; e ajuste por clima, feriado e evento.Do histórico de vendas à compra do diaHistóricovendas do PDVpor data e horaPico realdia da semanae faixa horáriaEscalaequipe de salãoe de cozinhaCompraficha técnica× vendas previstasAjusteclima, feriadoe eventoO ajuste do dia entra por último, sobre uma base que já está pronta.

Antes de calcular: o relatório que você precisa tirar do PDV

Peça ao sistema um relatório de vendas com data, hora e produto de cada item vendido nas últimas oito semanas. Oito é uma escolha prática: com menos, uma semana fora do padrão pesa demais; com muito mais, você mistura mudança de cardápio e de estação.

Depois, marque no histórico o que não foi um dia normal: feriado, evento, promoção forte, queda do sistema e, principalmente, item que acabou no meio do serviço. Essas marcas importam porque venda não é demanda: se o chope acabou às 22h, o relatório mostra menos do que o cliente queria comprar.

Anote o horário da falta e trate aquela faixa como piso, não como medida. É o erro mais comum de quem prevê olhando só o total vendido.

Passo 1: as vendas por dia da semana mostram o ritmo da casa

Agrupe todas as terças, todas as quartas e assim por diante, e calcule a média de cada dia. No exemplo, o bar abre de terça a domingo e fatura R$ 37.000 por semana, em média.

Faturamento médio por dia da semana, em reaisGráfico de barras com o faturamento médio de um bar hipotético de terça a domingo. Sexta e sábado, destacados em vermelho, têm as maiores barras; a terça tem a menor.Faturamento médio por dia da semana, em reaisMédia das últimas oito semanas, exemplo hipotético de um bar de médio porte2.4003.1004.8009.60011.2005.900TerçaQuartaQuintaSextaSábadoDomingo

Sexta e sábado somam R$ 20.800, ou 56,2% da semana; a terça fica em R$ 2.400. Isso já muda decisão: terça pede equipe mínima e compra pequena, enquanto sexta e sábado pedem planejamento de verdade.

Olhe também a menor e a maior sexta do período. Se estiverem longe da média, a média sozinha engana, e o motivo costuma estar nas marcas que você fez no histórico.

Passo 2: as faixas de horário mostram o pico real

Dentro do dia mais forte, repita a conta por faixa de duas horas. Entra aqui o ticket médio: no exemplo, R$ 80 por comanda, de modo que as vendas de uma sexta (R$ 9.600) equivalem a 120 comandas.

Faixa Faturamento médio Comandas Parcela do dia
17h às 19h R$ 1.120 14 11,7%
19h às 21h R$ 3.200 40 33,3%
21h às 23h R$ 3.680 46 38,3%
23h à 01h R$ 1.600 20 16,7%
Dia inteiro R$ 9.600 120 100%

Setenta e um vírgula sete por cento do faturamento da sexta no picoCartão com o número em vermelho: a maior parte do faturamento médio da sexta-feira do bar do exemplo cabe em uma janela de quatro horas, das dezenove às vinte e três horas.71,7%do faturamento médio da sexta-feiracabe em quatro horas, das dezenove às vinte e trêsExemplo hipotético de um bar de médio porte

O pico real da sexta é uma janela de quatro horas, das 19h às 23h. Quem está no salão sente o aperto da hora mais difícil, que nem sempre é a de maior volume; o relatório separa as duas coisas.

Faça o mesmo com os pratos: veja o que mais sai nessa janela, porque é a cozinha dela que você vai dimensionar.

Passo 3: transforme o pico em escala de equipe

Você precisa de uma régua: quantas comandas cada pessoa dá conta numa faixa. Não copie de tabela de fora; ache nas suas noites. Escolha sextas em que a equipe estava completa e o serviço fluiu sem reclamação.

No exemplo, eram 4 garçons para 46 comandas na faixa das 21h: 46 ÷ 4 = 11,5 comandas por garçom a cada duas horas. Dividindo a previsão de cada faixa por esse número e arredondando para cima:

Faixa Comandas previstas Comandas ÷ 11,5 Garçons na escala
17h às 19h 14 1,2 2
19h às 21h 40 3,5 4
21h às 23h 46 4,0 4
23h à 01h 20 1,7 2

A escala vira degraus: 2 garçons das 17h à 01h e mais 2 das 19h às 23h somam 24 horas de garçom, contra 32 se quatro ficassem a noite inteira. Como encaixar turnos mais curtos depende do contrato e da convenção da categoria; confirme com o seu contador antes de montar a escala.

Na cozinha, use a mesma lógica contando pratos por cozinheiro na faixa, em vez de comandas por garçom.

Passo 4: transforme a previsão de vendas em quantidade de compra por insumo

A conta de cada insumo tem três partes:

  1. as vendas previstas do prato, que vêm do relatório;
  2. a quantidade de insumo por porção, que vem da ficha técnica;
  3. o rendimento, ou seja, quanto sobra depois de limpar e porcionar.

Se a ficha técnica ainda não existe, o roteiro de uma semana para a ficha técnica dos dez pratos que mais saem resolve isso antes da previsão.

Exemplo com a batata frita: a casa vende 200 porções por semana, cada porção leva 250 g de batata limpa e o rendimento medido na cozinha é 80%. Compra bruta por porção: 250 ÷ 0,80 = 312,5 g. Na semana: 200 × 312,5 g = 62,5 kg. Para dividir pelos dias, use a parcela de cada dia no faturamento:

Dia Faturamento médio Batata bruta
Terça R$ 2.400 4,1 kg
Quarta R$ 3.100 5,2 kg
Quinta R$ 4.800 8,1 kg
Sexta R$ 9.600 16,2 kg
Sábado R$ 11.200 18,9 kg
Domingo R$ 5.900 10,0 kg

Cada linha é 62,5 kg × faturamento do dia ÷ R$ 37.000. O mais fiel é usar a curva do próprio prato, que o relatório por produto entrega; aqui a curva da casa serve para simplificar.

Agora o pedido de quinta para sexta, sábado e domingo: 16,2 + 18,9 + 10,0 = 45,1 kg. Some uma margem de segurança, 10% no exemplo: 49,6 kg. Desconte os 5 kg contados no estoque depois do fechamento de quinta e peça 45 kg.

A margem sai do histórico: veja quanto a maior semana do item passou da média. Item que não pode faltar pede margem maior; perecível pede menor. Comprar demais vira perda, e ela aparece no CMV; veja como calcular o CMV e onde a margem escapa.

Passo 5: ajuste a previsão por clima, feriado e evento no bairro

A média descreve o dia normal. Para os dias que fogem dele, crie um fator na própria casa: média dos dias com a situação ÷ média do mesmo dia da semana em condição normal.

Situação (sexta) Sexta normal Sexta com a situação Fator
Chuva forte R$ 9.600 R$ 7.800 0,81
Véspera de feriado R$ 9.600 R$ 11.500 1,20
Jogo no estádio do bairro R$ 9.600 R$ 12.100 1,26

Um fator vale tanto quanto as ocorrências por trás dele. Como regra prática, com uma só ele é pista; com três ou mais, começa a ser régua. E o sinal muda de casa para casa: a chuva que esvazia o salão do exemplo pode, em outra, empurrar o público para o pedido por entrega. Só o seu histórico diz.

Aplicação: sexta de véspera de feriado, fator 1,20. O pico das 21h vai de 46 para 55 comandas, e 55 ÷ 11,5 = 4,8 pede 5 garçons. A batata sobe de 16,2 para 19,4 kg (16,2 × 1,20), cerca de 3,2 kg a mais.

Feriado e evento se sabem com antecedência: consulte o calendário e o que acontece perto da casa (jogo, show, feira). Anote a data no histórico para virar fator na vez seguinte.

Depois do serviço: compare o previsto com o vendido

Na segunda de manhã, ponha lado a lado previsto e realizado por faixa. Errou sempre no mesmo ponto por três semanas? Corrija a régua de comandas por garçom ou o fator. O erro é a informação mais barata que a casa tem.

Isso não exige IA: exige o relatório certo

Tudo acima é média, multiplicação e divisão, que cabem numa planilha. Ferramenta de IA pode ajudar mais adiante, quando houver muito histórico, mas a qualidade da previsão depende antes de dado limpo: hora correta, produto sem cadastro duplicado, falta de item anotada.

Se o seu PDV não entrega vendas por hora e por produto, essa é a primeira coisa a resolver.

Próximo passo: faça a primeira previsão esta semana

  1. Exporte as últimas oito semanas de vendas, com data, hora e produto.
  2. Calcule a média de cada dia da semana e marque as semanas atípicas.
  3. No dia mais forte, divida o faturamento em faixas de duas horas e ache a janela do pico.
  4. Descubra quantas comandas cada pessoa dá conta e monte a escala em degraus.
  5. Multiplique a venda prevista dos cinco pratos mais vendidos pela ficha técnica e faça o pedido da semana.

Para o passo 5, comece pela calculadora de ficha técnica, que mostra o custo da porção já com o rendimento.

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