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Cluster: Impostos e reforma tributáriaTema: Imposto de Renda 2026: pró-labore, folha e distribuição de lucros

Imposto de Renda 2026 no restaurante: o que muda na folha, no pró-labore e na distribuição de lucros

Até R$ 5.000 o IR retido zera em 2026, inclusive no pró-labore. Veja a conta da folha, a redução até R$ 7.350 e as regras da distribuição de lucros.

Publicado em Atualizado em Por MenuWorks

Imposto de Renda 2026 no restaurante: o que muda na folha, no pró-labore e na distribuição de lucros

Desde 1º de janeiro de 2026, quem recebe até R$ 5.000 por mês não tem mais imposto de renda descontado do pagamento. O desconto que sumiu é a retenção na fonte, o IR que a empresa desconta antes de pagar. De R$ 5.000,01 a R$ 7.350 esse desconto diminui, e acima de R$ 7.350 nada muda.

Isso vale para o salário do garçom, para o do gerente e também para o pró-labore que você retira da própria empresa — para o imposto de renda, pró-labore é salário. A regra está no texto da Lei 15.270, de 26 de novembro de 2025.

Aqui você encontra a conta de cada faixa com os números que valem em 2026, o que muda no seu próprio pró-labore, e por que uma ata assinada em 2025 pode pesar na distribuição de lucros deste ano.

Quanto cada pessoa da sua equipe deixa de ter descontado

A conta continua saindo da tabela progressiva de sempre. O que a lei criou foi uma redução aplicada depois, sobre o imposto que a tabela apontou.

Quem tem rendimento tributável — o valor bruto sobre o qual o IR é calculado — de até R$ 5.000 no mês ganha uma redução de até R$ 312,89, calculada para que o imposto do mês fique em zero.

De R$ 5.000,01 a R$ 7.350, a redução é R$ 978,62 menos 0,133145 vezes o rendimento bruto. Ela encolhe conforme o valor sobe e chega a zero em R$ 7.350. Acima disso, não há redução.

Dois detalhes mudam a conta na prática. A fórmula olha o valor bruto, e não a base depois das deduções. E a redução vale também para o 13º salário.

Rendimento bruto no mês IR pela tabela Redução IR retido em 2026
R$ 4.000 R$ 114,76 o imposto inteiro zero
R$ 5.000 R$ 312,89 o imposto inteiro zero
R$ 6.000 R$ 574,29 R$ 179,75 R$ 394,54
R$ 7.000 R$ 849,29 R$ 46,61 R$ 802,68
R$ 10.000 R$ 1.674,29 nenhuma R$ 1.674,29

As contas acima usam o desconto simplificado e nenhum dependente. Com dependentes, ou com INSS mais alto, o resultado muda — por isso não anuncie à equipe um aumento de líquido em valor fechado antes de rodar a sua folha.

IR retido por mês, antes e depois da nova redução, em cinco faixas de rendimentoBarras comparam o IR pela tabela e o IR retido com a redução, para rendimentos brutos de R$ 4.000, R$ 5.000, R$ 6.000, R$ 7.000 e R$ 10.000. Nos dois primeiros o IR retido é R$ 0 e em R$ 10.000 não há redução.IR pela tabela, sem a reduçãoIR retido com a reduçãoR$ 114,76R$ 0R$ 312,89R$ 0R$ 574,29R$ 394,54R$ 849,29R$ 802,68R$ 1.674,29R$ 1.674,29R$ 4.000R$ 5.000R$ 6.000R$ 7.000R$ 10.000Rendimento bruto mensal. Cálculo com desconto simplificado e sem dependentes.

A tabela do IR que a sua folha usa em 2026

São cinco faixas, e cada uma tem uma parcela a deduzir: o valor fixo que a tabela manda subtrair depois de aplicar a alíquota. Ela vem da Lei 15.191, de 11 de agosto de 2025 e continua valendo em 2026.

Para chegar ao imposto do mês, o caminho é este:

  1. Some o rendimento bruto do mês da pessoa.
  2. Subtraia a maior dedução entre duas: o desconto simplificado, um abatimento fixo de R$ 607,20 usado no lugar de INSS e dependentes, ou a soma do INSS descontado com R$ 189,59 por dependente.
  3. Aplique a alíquota da faixa sobre o que sobrou, subtraia a parcela a deduzir e só então aplique a redução nova, que olha o bruto.

O desconto simplificado é esse valor fixo de R$ 607,20, e não 25% do salário: é 25% do limite da faixa isenta, de R$ 2.428,80.

Tabela progressiva mensal do IR vigente em 2026Cinco faixas de base de cálculo mensal com a alíquota e a parcela a deduzir de cada uma: isento até R$ 2.428,80, 7,5% com R$ 182,16, 15% com R$ 394,16, 22,5% com R$ 675,49 e 27,5% com R$ 908,73.Tabela progressiva mensal do IRBase de cálculo mensalAlíquotaParcela a deduzirAté R$ 2.428,80Isento—De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,657,5%R$ 182,16De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,0515%R$ 394,16De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,6822,5%R$ 675,49Acima de R$ 4.664,6827,5%R$ 908,73Valores vigentes em 2026. Imposto = alíquota × base − parcela a deduzir.A redução nova é aplicada depois, sobre o imposto que sai desta tabela.

Nota de atualização: esses valores e os limites de R$ 5.000 e R$ 7.350 são os vigentes em 2026. A própria Lei 15.270 mandou o governo propor, em até um ano, uma política de atualização da tabela — confira na Receita Federal antes de usar isto em 2027.

O pró-labore do dono entra na mesma regra

Pró-labore é rendimento tributável do sócio. Entra na mesma tabela, com a mesma redução, e a empresa retém o IR como faz com qualquer salário da casa.

Na prática: se você retira R$ 5.000 por mês, o IR retido do seu pró-labore em 2026 é zero — pela mesma redução que zerou o do cozinheiro de R$ 4.000.

O INSS continua. A empresa desconta e recolhe a contribuição de contribuinte individual — o sócio que retira pró-labore, na linguagem do INSS —, de 11% sobre o pró-labore, até o teto de R$ 8.475,55 em 2026.

No Simples Nacional, a parte patronal dessa contribuição já está dentro do DAS, com exceção das atividades do Anexo IV, onde bar e restaurante não se enquadram.

Quanto retirar de pró-labore e quanto deixar para lucro é decisão que se toma com o contador, com os números da sua casa. Este texto não dá essa conta.

R$ 5.000: até aqui, IR retido zero em 2026Cartão com o valor de R$ 5.000, limite do rendimento bruto mensal, salário ou pró-labore, até o qual o IR retido na fonte é zero em 2026.R$ 5.000até aqui, IR retido zero em 2026rendimento bruto mensal, salário ou pró-labore

Zero no mês não quer dizer zero na declaração

O zero de que todo mundo fala é o do desconto mensal. O ajuste anual — a declaração do ano seguinte, que acerta a conta — tem regra própria, válida a partir da declaração de 2027, sobre o ano de 2026.

Lá, rendimentos tributáveis de até R$ 60.000 no ano têm redução de até R$ 2.694,15, de modo que o imposto fique em zero. De R$ 60.000,01 a R$ 88.200 a redução é R$ 8.429,73 menos 0,095575 vezes o total do ano, até zerar em R$ 88.200.

A consequência prática é esta: quem soma ao salário ou ao pró-labore outro rendimento tributável — o aluguel de um ponto, o pró-labore de uma segunda empresa — pode ter imposto a pagar na declaração mesmo tendo tido zero retido todo mês.

A distribuição de lucros: duas portas novas, e a ata de 2025

A distribuição de lucros continua isenta no cálculo ordinário do imposto de renda da pessoa física no ajuste anual, pelo artigo 10 da Lei 9.249/1995, que mantém a isenção dos lucros. O que mudou é que os lucros podem entrar na tributação mínima de altas rendas, e que a lei criou uma retenção na fonte para pagamentos grandes. São duas portas, e as duas ficam altas para a maioria das casas.

A porta do mês: quando uma mesma empresa paga a uma mesma pessoa física mais de R$ 50.000 de lucro no mesmo mês, há retenção de 10% sobre o total pago — não só sobre o que passou dos R$ 50 mil —, somando os pagamentos do mês. Abaixo disso, não há retenção.

A porta do ano: quem soma mais de R$ 600.000 de rendimentos no ano, lucros incluídos, fica sujeito à tributação mínima anual, a partir do ano de 2026. A alíquota cresce até 10% em R$ 1.200.000 de renda anual, e a lei prevê exclusões e um redutor. Esse cálculo é do contador.

Se o seu ano fechar abaixo de R$ 600.000 em rendimentos computáveis e houve imposto retido pela porta do mês, a Receita Federal diz que esse valor poderá ser restituído na declaração. É “poderá”, e não “será”: a devolução não é automática nem garantida, e quem confere a sua declaração é o contador.

A ata de 2025 — o documento em que os sócios aprovam a distribuição — é o detalhe que muita casa não sabe que tem. Lucro apurado até 2025, com distribuição aprovada em ata até 31 de dezembro de 2025 e pago nos termos que a própria ata previu, fica fora das duas portas. Para isso, o pagamento precisa ocorrer em 2026, 2027 ou 2028.

As duas condições que fazem a distribuição de lucros sofrer retenção no mês ou tributação mínima no anoDois quadros: a porta do mês, com retenção de 10% quando a empresa paga mais de R$ 50.000 de lucro a uma pessoa no mesmo mês, e a porta do ano, com tributação mínima quando os rendimentos passam de R$ 600.000. Embaixo, a exceção dos lucros de 2025 aprovados em ata até 31 de dezembro de 2025 e a possível restituição do IR retido.Porta do mêsUma mesma empresa paga a uma mesmapessoa física mais de R$ 50.000 de lucrono mesmo mês.Retenção de 10% na fonte sobre o totalpago, não só sobre o que passou do limite.Porta do anoOs rendimentos da pessoa no ano,lucros incluídos, passam de R$ 600.000.Tributação mínima anual, a partir de 2026.Exclusões e redutor: com o contador.Fora das duas portas: lucro apurado até 2025, aprovado em ata até 31 dedezembro de 2025 e pago como a ata previu.Abaixo de R$ 600.000 no ano, o IR retido na porta do mês poderá ser restituído na declaração.

Vale para quem está no Simples também: a Receita trata do assunto nas perguntas e respostas da Receita Federal sobre tributação de altas rendas, lucros e dividendos, versão de 19 de dezembro de 2025, nas questões “hipótese de afastamento” e “requisitos para não haver retenção”, e confirma em “aplica-se às empresas do Simples Nacional?” que a retenção alcança essas empresas. A numeração dessas perguntas já mudou uma vez, então procure pelo título. Nota de atualização: reveja essas referências em dezembro de 2026.

No Simples, o quanto pode sair como lucro isento tem limite

Sem escrituração contábil — a contabilidade completa feita pelo contador — a isenção do lucro na Lei Complementar 123/2006, que rege o Simples Nacional tem teto.

Esse teto sai do percentual de presunção da atividade, previsto no art. 15 da Lei 9.249/1995, aplicado sobre a receita bruta, menos a parcela do valor devido no Simples que corresponde ao IRPJ. Não é o DAS inteiro que se desconta.

Com escrituração contábil que evidencie lucro maior, vale o lucro contábil. Qual percentual se aplica à sua casa, e quanto do DAS corresponde ao IRPJ, é conta que o contador faz.

O que é seu, e o que é do contador

Seu, e cabe nesta semana:

  • Conferir na folha se a redução está sendo aplicada desde janeiro.
  • Conferir o próprio holerite de pró-labore, com IR e INSS separados.
  • Achar a ata de 2025, se houver, e guardar junto o comprovante de cada pagamento.
  • Avisar o contador se você recebe aluguel ou pró-labore de outra empresa.

Do contador: o percentual de presunção sobre a receita bruta, a parcela do DAS que corresponde ao IRPJ, o cálculo da tributação mínima e do redutor, a conferência da restituição do IR retido sobre lucros e a composição entre pró-labore e lucro.

O próximo passo

Rode a sua folha inteira com os dois cálculos lado a lado, o de antes e o de 2026 — é o que mostra, pessoa por pessoa, o que muda de fato. Para isso, baixe a calculadora de IR 2026 da folha e do pró-labore e preencha com os nomes e os valores da sua casa.

Se a dúvida seguinte for sobre a guia que você paga todo mês, ela está no material “Simples Nacional para bar e restaurante: como a alíquota é calculada”. Sobre o imposto do que você vende, de 2026 a 2033, o caminho é o “Guia da reforma tributária para bares e restaurantes: de 2026 a 2033 sem susto”. E lembre que o regime da empresa — Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real — muda a conta de quanto lucro pode sair isento, assunto de outro material.

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