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Cluster: Reforma tributáriaTema: Imposto do pecado: o Imposto Seletivo sobre bebidas e cigarros no bar e no restaurante

Donos de bares e restaurantes: o que fazer para se proteger do imposto do pecado em 2027

A MP do Imposto Seletivo mira bebidas e cigarro a partir de fevereiro de 2027. Veja as alíquotas, o que muda para o bar e o que o dono deve fazer agora.

Publicado em Por MenuWorks

Donos de bares e restaurantes: o que fazer para se proteger do imposto do pecado em 2027

O imposto do pecado nas bebidas deve começar a valer em fevereiro de 2027, se a Medida Provisória nº 1.399, de 4 de novembro de 2026, for mantida como está. Ele recai sobre refrigerante, cerveja, vinho, destilado e cigarro, ou seja, sobre o que enche a sua geladeira e o seu caixa.

O nome oficial é Imposto Seletivo. Quem o recolhe é a indústria ou o importador, e não o bar. Mesmo assim, ele chega ao seu custo dentro do preço da distribuidora.

Neste texto você encontra as alíquotas de cada bebida, o que é verdade e o que é exagero na ideia de que ele é "mais um imposto", uma conta de repasse (hipotética) e a lista do que fazer antes de fevereiro.

O que é o Imposto Seletivo e quando ele começa

O Imposto Seletivo foi previsto pela Emenda Constitucional 132/2023, a da reforma tributária, para bens que fazem mal à saúde ou ao meio ambiente. Ele também alcança veículos, mas aqui o foco é o que passa pelo seu balcão.

Segundo o texto oficial da Medida Provisória nº 1.399, as alíquotas valem só para 2027, e o artigo 19 manda produzir efeitos a partir de fevereiro de 2027. Para virar lei, a MP ainda precisa ser aprovada pelo Congresso.

A arrecadação prevista do imposto em 2027 é de R$ 41,9 bilhões, segundo o projeto de lei orçamentária.

Alíquotas de 2027: quanto cada bebida e o cigarro pagam

A tabela abaixo reproduz o Anexo IV da MP. A alíquota final é a alíquota inicial multiplicada por um fator de conversão: na cerveja, 3,9% × 1,07 resulta em 4,2%; no vinho, 6,5% × 1,23 resulta em 8,0% (valores arredondados).

Produto Alíquota do Imposto Seletivo em 2027
Refrigerantes e bebidas açucaradas (NCM 2202.10.00) 2,6%
Cerveja de malte (22.03) 4,2%
Vinhos e outras bebidas fermentadas (22.04 e 22.06) 8,0%
Vermutes (22.05) 12,0%
Vinho do Porto, Madeira, Jerez e fermentadas acima de 14% 16,0%
Cachaça e rum de cana (2208.40.00, exceto de melaço) 20,0%
Uísque, vodca, gim e demais destilados 24,0%
Cigarros e cigarrilhas 66,7% mais R$ 3,50 por vintena (20 unidades)
Demais fumígenos 37,5%

Alíquota do Imposto Seletivo por bebidaGráfico de barras horizontais: refrigerantes 2,6%, cerveja 4,2%, vinhos 8,0%, vermutes 12,0%, vinho do Porto, Madeira e Jerez 16,0%, cachaça e rum de cana 20,0% e demais destilados 24,0%.Alíquota do Imposto Seletivo por bebidaPercentual de cada categoria na tabela da medida provisóriaRefrigerantes e bebidas açucaradas2,6%Cerveja de malte4,2%Vinhos e outras fermentadas8,0%Vermutes12,0%Porto, Madeira, Jerez e similares16,0%Cachaça e rum de cana20,0%Uísque, vodca, gim e demais destilados24,0%O cigarro tem cálculo próprio, com percentual mais valor fixo por maço, e fica fora do gráfico.

Em 2027, a parte fixa cobrada por volume ou teor alcoólico fica zerada nas bebidas alcoólicas e nos demais fumígenos (art. 6º, II da MP). Só cigarros e cigarrilhas mantêm o valor fixo, de R$ 3,50 por vintena. O recado da tabela é simples: quanto mais forte a bebida, maior a alíquota, e o destilado paga mais de nove vezes o percentual do refrigerante.

O imposto é "adicional a todos os outros"? Em parte

A frase é parcialmente verdadeira, e vale entender os dois lados antes de repassar qualquer coisa ao cliente.

O que é verdade:

  • O Imposto Seletivo é um tributo à parte do IBS e da CBS.
  • Ele entra na base de cálculo da CBS, do IBS, do ICMS e do ISS (Constituição, art. 153, §6º, pela EC 132/2023). É imposto sobre imposto.

O que é exagero:

  • A partir de fevereiro de 2027 ele substitui o IPI desses produtos, que vai a zero (exceto na Zona Franca); para janeiro, o governo propôs estender o IPI, para não haver mês sem tributo. A MP foi desenhada para manter a carga atual do IPI. O ministro Dario Durigan disse que os setores "têm acordo para manter a carga do IPI para o Imposto Seletivo".
  • Logo, o Imposto Seletivo, sozinho, não deve significar um tributo novo somado ao IPI em 2027.

O que encarece 2027 de verdade é o conjunto. A CBS passa a ser cobrada integralmente (o TCU calculou a alíquota de referência em cerca de 11,3%, e o Senado ainda vai fixá-la). Bares e restaurantes têm redução de 40% no regime específico, mas a bebida alcoólica fica fora desse regime. E o Imposto Seletivo entra na base da CBS. Para o regime específico em detalhe, veja o material do acervo "IBS e CBS no restaurante: o que muda no preço do cardápio, na bebida, no delivery e na gorjeta".

2028 pode pesar mais do que 2027

A alíquota de 2027 é provisória. Pela regra atual, o governo precisa enviar até 31 de maio de 2027 um projeto de lei com as alíquotas definitivas, que valeriam a partir de 1º de janeiro de 2028.

De 2029 a 2033, a Lei Complementar 214/2025 (art. 422, §5º) prevê que as alíquotas de bebidas alcoólicas e produtos fumígenos absorvam aos poucos a diferença do ICMS.

Linha do tempo do Imposto SeletivoTrês etapas: em 2027 o imposto passa a valer no lugar do IPI, se a MP for aprovada; em 2028 entram as alíquotas definitivas, vindas de projeto de lei; de 2029 a 2033 a lei prevê que as alíquotas de bebidas e fumígenos absorvam aos poucos a diferença do ICMS.Linha do tempo do imposto202720282029 a 2033O Imposto Seletivo passaa valer no lugar do IPI,se a MP for aprovadaAlíquotas definitivasvêm de projeto de leie valem desde janeiroA lei prevê que bebidase fumígenos absorvam aospoucos a diferença do ICMS

Por isso, maio de 2027 é uma data para marcar na agenda: o projeto de lei mostrará se o que está na MP vira regra permanente ou muda.

Quem paga o imposto: o bar não recolhe, mas sente

O Imposto Seletivo é monofásico: incide uma única vez, cobrado do fabricante (na primeira comercialização) ou do importador, conforme os arts. 410 e 424 da Lei Complementar 214/2025.

O bar não recolhe o imposto e não gera crédito com ele. Você paga o valor embutido no preço da indústria e da distribuidora, e é nesse preço que o reajuste vai aparecer.

Onde o Imposto Seletivo é cobradoCadeia em quatro etapas: fabricante ou importador, distribuidora, bar ou restaurante e cliente. O imposto é cobrado só na primeira etapa e chega ao bar embutido no preço, sem crédito.Onde o Imposto Seletivo é cobradoFabricanteou importadorDistribuidoraSeu bar ourestauranteClienteAqui o imposto é cobradouma única vezO valor já vemdentro do preçoVocê não recolhee não tem créditoPaga o preçodo cardápio

Quanto vai subir a garrafa? Uma conta hipotética

Não existe estimativa confiável de quanto a lata, a garrafa ou o maço vai subir para o consumidor. Quem promete um percentual está chutando. O que você pode fazer é treinar a conta com os seus números.

A tabela abaixo é uma hipótese, não uma previsão. Os valores (long neck de R$ 6,00 de custo, R$ 14,00 de venda, 3% de taxa de cartão e custo subindo 5%) foram escolhidos só para ilustrar o método.

Linha da conta Hoje Custo sobe 5% e o preço fica parado Custo sobe 5% e o preço é recalculado
Custo da garrafa R$ 6,00 R$ 6,30 R$ 6,30
Preço no cardápio R$ 14,00 R$ 14,00 R$ 14,31
Taxa de cartão (3% do preço) R$ 0,42 R$ 0,42 R$ 0,43
Margem de contribuição por garrafa R$ 7,58 R$ 7,28 R$ 7,58

Com o preço parado, a casa perde R$ 0,30 por garrafa; em 2.000 garrafas por mês, são R$ 600. Para recuperar a margem de R$ 7,58, o cálculo é (R$ 6,30 + R$ 7,58) ÷ 0,97, que dá R$ 14,31. Como a taxa de cartão é percentual do preço, ela entra dividindo.

Um reajuste linear de 5% levaria a garrafa a R$ 14,70, mais do que o necessário. O método completo está em Como precificar prato de restaurante: do custo da ficha técnica ao preço no cardápio.

O que fazer antes de fevereiro

  1. Levante o custo unitário de cada bebida hoje e guarde a tabela atual do fornecedor. Sem a foto do "antes", você não enxerga o repasse quando ele vier.
  2. Separe a bebida no CMV e calcule a margem de contribuição item a item: cerveja, refrigerante, vinho, destilado e dose. O passo a passo está em CMV de bar e restaurante: como calcular, onde a margem escapa e o que fazer toda semana.
  3. Negocie com as distribuidoras antes de fevereiro: tabela de preços por escrito, prazo de aviso antes de qualquer reajuste, cotação com mais de um fornecedor e, se fizer sentido, compra programada, cuidando do caixa e da validade.
  4. Confirme com o contador o NCM de cada bebida e o enquadramento da casa (Simples, regime específico, bebida fora do regime).
  5. Repasse ao cardápio com método, usando um markup que considere taxa de cartão e comissão de aplicativo, que são percentuais, em vez de um reajuste linear.
  6. Revise o mix e o cardápio: dê destaque ao que pesa menos no imposto, como drinks com mais valor agregado, sucos, água, café e comida. Para chope e cerveja de pequenos produtores, a MP prevê redução de 40%, 20% ou 10% conforme o volume de álcool; peça ao fornecedor para confirmar se o produto se enquadra. Combos e happy hour devem ter data de validade.

Cigarro: ainda compensa vender?

O cigarro tem a conta mais pesada da tabela: 66,7% mais R$ 3,50 por vintena. Calcule quanto sobra de margem em reais por maço, quanto ele ocupa de caixa e de estoque, e pese o risco do mercado ilegal.

Se a margem em reais for pequena, vender cigarro pode não compensar. Decida com a conta, não com o hábito.

Como o MenuWorks ajuda em 2027

O cardápio digital do MenuWorks permite alterar o preço de uma bebida na hora, sem reimprimir cardápio. O relatório de vendas por item mostra quais bebidas sustentam a margem, e o destaque no cardápio ajuda a vender mais os itens de maior margem.

Para o custo, use a Calculadora de CMV e a Calculadora de Ficha Técnica, que o site oferece gratuitamente.

Próximo passo: baixe o ebook

Este texto responde ao que é o imposto, quando começa e o que fazer primeiro. O ebook sobre o imposto do pecado nas bebidas vai além: traz o diagnóstico do peso da bebida na sua margem, a matriz de decisão por categoria, o roteiro de negociação com a distribuidora, o cálculo completo do novo preço e o calendário de ações até 2028.

Baixe o ebook que acompanha este texto e comece pela semana que vem.

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